quinta-feira, 28 de maio de 2015

Passado obscuro

Conto publicado na antologia Modus Operandis da Editora IlluminareOrganização: Rô Mierling. ISBN 9788568904077.


Suada debaixo do cobertor, apesar do frio que fazia naquela noite, a jovem Alicie refletia sobre a própria vida.

Sentia prazer ao relembrar o que tinha feito na noite anterior. Não existia nada capaz da apagar da sua memória tudo o que fez e retirar dela a alegria de continuar a viver livremente.






Obra com o selo SERIAL KILLERS - voltado a coletâneas e livros solos sobre crimes, romance policial, suspense e terror.

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quarta-feira, 13 de maio de 2015

O segredo

No ano de 2012, participei de um concurso de contos de natal, da Prefeitura do Rio, e a minha obra foi publicada na Educoteca!

O segredo 

Quando o Senhor Silva olhou para o calendário, bateu em seu peito uma tristeza muito grande. O Natal estava chegando e apesar de todo esforço e trabalho, não conseguiu guardar dinheiro para comprar um presente maravilhoso para sua linda filha chamada Ane. Será que esse Natal será triste para essa pequena menininha? A casa onde Ane morava era simples, arrumadinha e aconchegante. Ela morava com os pais, o Senhor Silva e Dona Maria. Tinha um lindo gatinho chamado Valente e dois cachorrinhos, o Bravo e a Meiga. A casa possuía dois quartos, sala, cozinha, um banheiro, varanda e uma bonita horta familiar que era cultivada para ajudar na alimentação e na renda familiar. Todos os sábados o pai de Ane vendia as hortaliças e legumes na feirinha do bairro. Esqueci de falar! O Senhor Silva era camelô e a Dona Maria uma bordadeira de mão cheia. A Ane se orgulhava dos pais dela, pois ambos faziam de tudo para que ela estudasse numa escola pública de qualidade para realizar o seu maior sonho: ser professora. Ane amava ensinar e promover a leitura entre seus amigos. Apesar de estar no 9º ano do ensino fundamental, já pensava no seu futuro profissional. Ane tinha tantos livros que o seu quarto só tinha espaço para a cama e o armário. Ela lia todos os dias e amava literatura de todos os tipos: romances, fábulas, novelas, contos, crônicas, enfim, tudo que chegasse até suas mãos. Ela ganhava livros dos pais e amigos, pegava na lata de lixo quando alguém jogava fora, comprava no sebo e num cantinho especial da cabeceira de sua cama, ficavam os livros emprestados da biblioteca do bairro. Os livros tinham prazos para devolução e Ane não queria correr o risco de ver o Bibliotecário zangado com ela. Ela nunca atrasou a entrega de um livro e queria continuar assim. Ane desde pequena era incentivada pelos pais a ler. Sua mãe sempre contava uma história na hora de dormir e seu pai lia histórias de aventuras quando ela chegava da escola. Com 13 anos, Ane estava lendo tão alto na frente da biblioteca do bairro, que encantou umas crianças que pararam de brincar e sentaram para ouvir a história contata por Ane. Desde aquele dia, ela conta uma história para alguém e incentiva um ouvinte a ler e compartilhar a leitura de um bom livro com os amigos. Ela até foi convidada a fazer parte do grupo de contação de histórias da biblioteca. O grupo envolvia crianças, adolescentes, jovens e idosos que contavam histórias em vários locais como escolas, hospitais, orfanatos, asilos, entre outros. Olhando a filha contando histórias para os amiguinhos, o Senhor Silva decidiu que iria fazer uns “bicos” como pedreiro, jardineiro e eletricista, para proporcionar um bom Natal para a família, mas de tanto trabalhar, ficou doente e, ao invés de conseguir o dinheiro, teve que gastar com remédios. Ele só chorava e a cada dia ficava mais doente, por fim, foi internado faltando duas semanas para o Natal! Dona Maria decidiu ficar até mais tarde na rua para vender seus bordados e quando chegava em casa, cuidava do esposo. A biblioteca do bairro pediu uma encomenda de bolsas bordadas para ela e isso ajudou no orçamento da casa. A mãe de Ane emagreceu tanto, que teve que comprar novas roupas para ela. Ane ficou chateada por ver seus pais se esforçando tanto e não conseguirem o que tanto desejavam. Ela sabia de todos os planos dos pais, mas fingia que não sabia e sempre falava com eles que não queria presente, só a presença dos dois era suficiente. Seu coração realmente desejava apenas aqueles dois presentes que Deus tinha lhe dado: seus pais. O que adiantava ter uma ceia de natal maravilhosa e presentes, sem a presença de sua linda família? Dizia ela. Faltando três dias para o Natal, algo aconteceu. Alguém bateu em sua porta e deixou num cestinho um livro com o título “Um conto de Natal” e um bilhete pedindo para Ane ler a obra. O bilhete dizia: “Leia esse livro e você terá um ótimo Natal”. Ane achou esquisita aquela situação, mas pensou que um louco tinha deixado o livro em sua porta, ou alguém que queria brincar com o sofrimento dela. Como gostava de livros, não queria que uma chuva estragasse a obra e recolheu o cesto e deixou na mesa da cozinha. Esqueceu de falar com os pais sobre o ocorrido e foi dormir. Na manhã seguinte, falou com a mãe e com o pai que tinha recebido alta do hospital e estava em casa. Seus pais acharam estranho, mas informaram que ela gostava tanto de ler que não iria ter problemas descobrir a história do livro antes de tentar encontrar o autor da brincadeira. Faltando dois dias para o Natal, Ane começou a ler o livro e não conseguia parar. O livro contava a história de uma pequena e linda menina pobre que achou um cofre cheio de tesouros, mas para abrir o cofre, tinha que ter a chave certa que só um bom leitor iria descobrir. Quando chegou ao final da história, Ane estranhamente se levantou, falou algo no ouvido do pai e da mãe e juntinhos caminharam até a biblioteca do bairro para devolver o livro lido. Na verdade, a obra era de um empréstimo na biblioteca e a querida menina verificou isso, pelo carimbo com o nome da biblioteca que estava no livro. Ao entrarem pela biblioteca viram o bibliotecário com uma cara de zangado e olhando para o livro nas mãos de Ane. Ela ficou assustada, pois como iria explicar que alguém pegou o livro emprestado na biblioteca e deixou num cesto em sua porta. Ela engoliu em seco o medo, apertou as mãos dos pais e finalmente abriu a boca para falar com o bibliotecário. Ele levantou as mãos, não deixou a menina falar, pegou o livro, olhou o carimbo da biblioteca, verificou se não estava danificado, deu baixa na ficha de empréstimo, foi à estante, guardou o livro. Ane estava paralisada, mas conseguiu ler a seguinte mensagem no aviso da biblioteca: “Este ano a biblioteca completa 10 anos de existência e para comemorar nosso aniversário, iremos abrir até o dia vinte e três de dezembro no horário normal de funcionamento da biblioteca”. Ane pensou que o bibliotecário estava zangado por ter que trabalhar até aquele dia ou por ter que atender uma menina abusada que devolveu o livro que estava no nome de outra pessoa, pois o bibliotecário sempre foi tão gentil e amoroso. O bibliotecário chamou os pais de Ane num canto, a mãe começou a chorar, o pai ficou com cara de surpreso e Ane viu um policial entrando na biblioteca e teve vontade de correr! De repente todos os funcionários da biblioteca começaram a aplaudir Ane e ela não entendeu nada. O bibliotecário deu um sorriso tão largo e feliz que ela ficou assustada! Ane tentou correr pela porta da biblioteca, mas foi impedida por um funcionário da biblioteca e ficou na sala de espera chorando e tentando explicar a todos o que tinha acontecido. O policial, na verdade, só tinha ido devolver o livro que seu filho pegou emprestado e quando o bibliotecário explicou o que estava acontecendo, olhou para Ane e saiu da biblioteca sorrindo. Todos os funcionários e os pais de Ane chegaram perto dela e finalmente foi revelado o segredo. Devido ao aniversário da biblioteca, o bibliotecário-chefe decidiu presentear um leitor com uma boa soma de dinheiro e um maravilhoso vale-livro, mas para ganhar o usuário deveria ler o livro até o final e descobrir o segredo. O autor do livro era um professor aposentado que escreveu de tal maneira que se alguém lesse só uma parte do livro ficaria confuso e não iria entender nada. Foram distribuídos 10 exemplares do livro para 10 crianças leitoras do bairro. O desafio seria a criança ler o livro enquanto todas as outras crianças estavam comprando brinquedos, roupas e gostosuras para o Natal. Quem quer ler enquanto todos estão no shopping se divertindo? Ane quis ler e por isso, foi presenteada. Quando recebeu o cheque prêmio, ela viu tantos zeros depois do número um que nem acreditou que estava recebendo tanto dinheiro! O vale livro e um exemplar do livro lido foram entregues em uma linda bolsinha bordada com os dizeres: Sou uma leitora 100%! Ane tirou várias fotos com os funcionários da biblioteca e seus pais. Agradeceu a todos, participou de um gostoso lanche de comemoração e ajudou o bibliotecário a fechar a biblioteca. Ela estava muito feliz e no mesmo dia foi ao shopping comprar enfeites e gostosuras de natal, além de livros para presentear seus pais e amigos. Os pais de Ane ficaram tão felizes com o ocorrido que são agora os novos membros do grupo de contação de histórias da biblioteca! A família está unida em torno da leitura no bairro. Vale ou não a pena ser um bom leitor? E você já descobriu o segredo do livro que a Ane leu?





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terça-feira, 12 de maio de 2015

Ao meu amigo livro

Poesia premiada no Concurso Poesia na Escola 2012 e publicada em 2013.



Ao meu amigo livro

Quando te conheci pensei que era um objeto para brincar

Perdoe-me!

Te rabisquei, rasguei, mordi e joguei até pro cachorrinho brincar
Ainda criança gostava de procurar palavras, figuras bonitas e recortar
Não gosto de lembrar

Quantas vezes estraguei e remendei seu corpo
Te esquecia na bolsa, usava como guarda-chuva e era o primeiro a ser deixado num canto

Te desprezava!

Quando entendi que era especial e me contava segredos, maravilhas e me apresentava pessoas, coisas e lugares ilustres
Te amei

Hoje és meu companheiro em todos os momentos!

Te uso na escola, te dou de presente, te leio na internet
Te empresto para os meus amigos, te procuro nas bibliotecas e salas de leitura
Te levo para casa, te devolvo para levar outro

Cuido de ti com todo carinho!

Conto os segredos que compartilhas comigo
Não consigo guardar!

Você desenvolve em mim outra visão de mundo

Enfim, quando estou com você estou com tudo.




Obs: O concurso "Poesia na Escola" faz parte do programa Rio, uma Cidade de Leitores, cujo objetivo é incentivar o prazer à leitura literária entre os estudantes e profissionais das escolas da Secretaria Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro.


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Estudante Trabalhador

Poesia premiada no Concurso Poesia na Escola 2011.

Estudante Trabalhador

Com as mãos trêmulas de cansaço segura o lápis
Os olhos não querem obedecer, querem fechar, adormecer
Mas dormir nem pensar... O tempo é para estudar!

Sabe que precisa apagar aquela frase que não conseguiu terminar
Reescrever, ler, aprender
Não desistir de lutar!

Apesar do transporte lotado, do pão dormido e café requentado
O que quer é vencer, esquecer o passado,
Viver o presente e avançar...

Reconhece que sem estudar não há lugar!

Às vezes as lágrimas querem brotar,
Mas o sorriso logo nasce quando mergulha no conhecimento
Que está registrado em vários suportes, em especial,


Nos lindos livros amados.




Obs: O concurso "Poesia na Escola" faz parte do programa Rio, uma Cidade de Leitores, cujo objetivo é incentivar o prazer à leitura literária entre os estudantes e profissionais das escolas da Secretaria Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro.



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